Roger Rocha Moreira

Líder do Ultraje a Rigor confessa rigorosamente tudo

   Quando entramos em contato com o roqueiro Roger e falamos "nós vamos invadir sua praia", ele foi pego de surpresa, pelado, nu, com a mão no bolso. E afirmou taxativamente: "Nada a declarar". Perguntamos o que ele queria em troca da entrevista e ele disse: "Eu quero sexo! Me dá sexo!". Claro que não concordamos e dissemos que era inútil insistir. Perguntamos o que mais poderia ser e ele disse: "Eu gosto é de mulher!". Pois é, isso nós também não temos no momento. Perguntamos qual era a causa daquelas exigências e ele não soube responder,  rebelde sem causa que é. Finalmente decidiu: "Mim quer tocar!". Mim não toca, Roger, aprende a falar, pô! No final, querendo provocar ciúme nos outros roqueiros ele acabou aceitando dar a entrevista para este prestigioso site. "Afinal de contas...", concluiu ele, "eu me amo".

Ó.B. – Você é mais ultraje ou mais rigor?
Roger – Acho que Ultraje a rigor é perfeito, o equilíbrio, nem prá lá nem prá cá.

Ó.B. – Quanto é o seu Q.I.?
Roger – O QI não é um número absoluto. Eu tive um resultado de 172 no teste de Raven, equivalente ao resultado atingido por menos de 1% da população mundial em qualquer teste.

Ó.B. – Desculpe a nossa ignorância, mas é bom ser inteligente?
Roger – Bem, desculpe minha inteligência, mas é bom ser ignorante? Estou brincando, mas não dá para saber como é um sem saber como é o outro. Acho que os inteligentes sabem que são idiotas enquanto os idiotas pensam que são inteligentes...

Ó.B. – Se o seu QI é alto, porque você virou roqueiro?
Roger – Justamente por isso! Você tem ouvido o rádio hoje em dia?

Ó.B. – Você é filiado ao Mensa. Mas o que é Mensa? E, por favor, fale devagar pra que a gente possa entender.
Roger – A Mensa é uma associação sem nenhum objetivo prático a não ser o de poder conversar com outras pessoas com o QI acima de 140 (mais ou menos) comprovados em teste aplicado por eles. Não é nada demais.

Ó.B. – O Ultraje nasceu em 1980 como cover dos Beatles. Mas quando foi o boom da banda?
Roger – Por volta de 1985.

Ó.B. – É verdade que o nome da banda surgiu porque o Edgard Scandurra é meio surdo?
Roger – Bem, fazia muito barulho na festa, vamos dar um certo crédito ao ouvido do Edgard. O fato é que quando perguntamos o que ele achava de Ultraje (para o nome da banda) ele respondeu "que traje? Traje a rigor?" e nós gostamos da idéia, pelo motivo que eu expliquei na primeira resposta.

Ó.B. – Você usa muito palavrão em suas letras. Não é um puta risco do caralho?
Roger – Não uso tanto palavrão assim, acho que menos de 10% de minhas músicas têm palavrão.

Ó.B. – Você é formado em inglês na Universidade de Michigan. É verdade que the book is on the table?
Roger – Sure thing. And the table is under the book!

Ó.B. – Nossas perguntas são inteligentes?
Roger – Não, mas eu compenso nas respostas.

Ó.B. – Você estudou arquitetura no Mackenzie. Como um conhecedor do tema, você prefere os arquitetos de São Paulo ou os engenheiros do Havaí?
Roger – Contanto que a casa fique boa, tanto faz!

Ó.B. – É só sexo, drogas e rock & roll ou de vez em quando rola uma pizza também?
Roger – A pizza entra no lugar das drogas, junto com a Coca-Cola.

Ó.B. – O seu pai, que é veterinário, não ficou bravo quando você compôs “Marylou”?
Roger – Meu pai é Engenheiro Agrônomo, e Marylou é do Maurício e do Edgard, eu só adicionei a parte da Sara Lee. Mas a letra é anatomicamente correta, meu pai aprovou.

Ó.B. – Você estudou no Conservatório Dramático e Musical e no Conservatório Musical Brooklin Paulista. Você se considera um sujeito conservador?
Roger – Sim, mas só no que se refere a drama, música e o Brooklyn Paulista.

Ó.B. – Entre 79 e 80 você morou em São Francisco, nos Estados Unidos, cidade onde nasceram os primeiros movimentos gays. Aconteceu alguma coisa lá que você jamais nos contaria?
Roger – Não, posso contar tudo que aconteceu lá, ou aqui, não tenho o que esconder.

Ó.B. – É mais fácil fazer sucesso sendo burro ou inteligente?
Roger – Burro, certamente.

Ó.B. – Banda que não toca na rádio não existe?
Roger – Bem, quando eu era adolescente eu gostava de Black Sabbath, Led Zeppelin, King Crimson, Van der Graaf Generator, Jethro Tull e de mais uma centena de bandas que não tocavam na rádio; algumas ainda não tocam, mas elas não só existiam, como são importantes até hoje.

Ó.B. – Você existe?
Roger – Penso, logo existo.

Ó.B. – Você acha que nós temos condições de nos associar ao Mensa?
Roger – Nós quem, cara-pálida?

Ó.B. – Você é roqueiro e gosta de internet. Você já teve um ataque de fúria e destruiu alguma sala de bate-papo?
Roger – Bem, eu gosto do conceito de internet e das possibilidades que ela oferece, mas salas de bate-papo são para punheteiros, eu tenho uma vida social de verdade.

Ó.B. – O Ultraje mudou muito de formação. Podemos concluir, então, que é um grupo com problemas de formação?
Roger – Você deduziu isso sozinho?

Ó.B. – A gravadora anterior lançava discos sem consultar a banda. Vocês consultaram um advogado?
Roger – Não, a questão é apenas moral, talvez ética, mas eles têm o direito de fazer isto, nós estamos cientes.

Ó.B. – Você toca guitarra e flauta. Agora, depois de tantos sucessos, você também toca gaita?
Roger – Sim, e levo a vida na flauta.

Ó.B. – Você gostaria de nos brindar com alguma mensagem de incentivo aos nossos jovens leitores que desejam um dia ter um QI alto como o seu?
Roger – Que fixação com o meu QI! Bom, se for mesmo uma coisa desejável, prestem atenção, leiam, escrevam, perguntem, desconfiem, pesquisem... enfim, pensem!

ENTREVISTA REALIZADA EM FEVEREIRO DE 2005


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